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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Papa se despede da Espanha com gratidão por memorável visita

Kelen Galvan - da Redação
O Papa Bento XVI se despediu, na tarde deste domingo, 7, da Espanha, com sentimentos de gratidão por sua visita de dois dias a Santiago de Compostela e Barcelona. Uma viagem centrada no Ano Jubilar Compostelano e na dedicação da Igreja da Sagrada Família.
"Agradeço vivamente por todas as contínuas dedicações de atenção que reservaram nesses dias ao Papa, e que colocam em destaque a hospitalidade e a acolhida da gente dessa terra, tão fascinante ao meu coração", afirmou Bento XVI.
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.: Discurso de despedida na íntegra
O Santo Padre recordou que em Santiago de Compostela quis unir-se como peregrino às tantas pessoas da Espanha, da Europa e de tantos lugares do mundo que chegam ao túmulo do apóstolo Tiago, para reforçar a própria fé e receber o perdão e a paz.
"Como sucessor de Pedro, vim para fortalecer meus irmãos na fé", ressaltou o Papa. "Aquela fé que na aurora do cristianismo se uniu à esta terra e se enraizou tão profundamente que veio moldando o espírito, os costumes, a arte e o caráter das pessoas que aqui vivem. Perseverar e crescer este rico patrimônio espiritual, é sinal não somente do amor de um país à sua própria cultura, mas é também um caminho privilegiado para transmitir às jovens gerações aqueles valores fundamentais tão necessários para edificar um futuro de convivência harmoniosa e solidária".
Bento XVI fez votos de que a fé cristã encontre novo vigor no continente europeu e se transforme em fonte de inspiração, para fazer crescer a solidariedade e o serviço em relação a todos, especialmente os grupos humanos e as nações mais necessitadas.
O Papa recordou depois que, neste domingo, em Barcelona, teve a imensa alegria de dedicar a Basílica da Sagrada Família que Gaudí projetou como "um louvor de pedra a Deus" e a visita à obra social que presta uma assistência significativa aos portadores de necessidades especiais. "Dois símbolos na Barcelona de hoje, da fecundidade daquela mesma fé, que significa também a profundidade daquele povo e que, por meio da caridade e a beleza do mistério de Deus, contribui para criar uma sociedade mais digna do homem".
"De fato, a beleza, a santidade e o amor de Deus levam o homem a viver no mundo com esperança", afirmou o Santo Padre.
E concluiu seu discurso afirmando que embora tenha estado em apenas duas cidades da Espanha, "com a oração e o pensamento desejei abraçar todos os espanhóis, sem exceção alguma, e todos aqueles que vivem entre vocês, sem terem nascido aqui".
"Levo todos no meu coração e rezo por todos, em particular por aqueles que sofrem, e os coloco sobre a proteção materna de Maria Santíssima, tão venerada e invocada na Galácia, na Catalunha e nas outras regiões da Espanha", destacou o Papa.
O Rei Juan Carlos e a Rainha Sofia participaram da cerimônia de despedida. Antes do seu regresso a Roma, o Santo Padre teve um breve encontro com o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.
O Papa Bento XVI irá retornar ao país em agosto de 2011, para celebrar a Jornada Mundial da Juventude, em Madri.

sábado, 6 de novembro de 2010

Igreja não renunciará a verdade e a liberdade, afirma Papa

Em sua visita a Catedral de Santiago de Compostela, o Papa Bento XVI ressaltou que a Igreja está a serviço da verdade e da liberdade, e não pode renunciar a nenhuma dessas duas dimensões. A mensagem do Papa foi recebida com aplausos acompanhados pela recitação do hino do peregrino.
Ao receber o caloroso abraço de milhares de fiéis, o Papa afirmou que este momento é realmente o resultado da fé, se sentindo introduzido nesse “mistério de amor”, e de um certo modo abraçado por Deus, transformado pelo amor.

“A Igreja é este abraço de Deus no qual os homens também aprendem a abraçar os próprios irmãos, descobrindo nesses a imagem e semelhança divina, que constitui a verdade mais profunda de si mesmo, e que é origem da verdadeira liberdade”, elucidou Bento XVI.
Sobre a verdade e a liberdade, o Papa salientou que há uma relação estreita e necessária entre elas, e a busca honesta da verdade e a inspiração à essa, são as condições para uma autêntica liberdade. “Não se pode viver uma sem a outra. A Igreja, que deseja servir com todas as suas forças a pessoa humana e a sua dignidade, está a serviço tanto da verdade quanto da liberdade”
O Santo Padre ressaltou ainda que não se pode renunciá-las, porque o que está em jogo é o ser humano. “E porque sem tal aspiração à verdade, à justiça e à liberdade, o homem se perderá em si mesmo”, enfatizou.
O Papa convidou todos os fiéis a viverem iluminados pela verdade de Cristo, professando a fé com alegria, coerência e simplicidade, em casa, no trabalho, e nos empenhos como cidadãos. “Que alegria em vê-los, filhos amados de Deus, poder inspirá-los também um amor sempre mais profundo com a Igreja, colaborando com ela na missão de levar Cristo a todos os homens”.
Bento XVI pediu que os fiéis pedissem ao Padroeiro, São Tiago, para que muitos jovens se consagram a esta missão no ministério sacerdotal e na vida consagrada. “Hoje, como sempre, vale a pena dedicar-se, por toda a sua vida, a portar a novidade do Evangelho”, lembrou.
Enfim, o Papa destacou que experimentar o que é andar em peregrinação significa sair de si mesmo para andar ao encontro de Deus, no lugar onde Ele se manifestou, onde a Sua graça divina se mostrou com particular esplendor e produziu abundantes frutos de conversão e santidade entre os fiéis.
O Pontífice expressou o seu agradecimento a todos os católicos espanhóis pela sua generosidade, salientando que esta sustenta tantas instituições de caridade e de promoção humana. Pediu ainda para que os espanhóis não deixem de lado essas obras que trazem benefícios à toda sociedade, e a qual de modo eficaz se manifesta especialmente nesta atual situação de crise econômica, assim como em ocasiões de graves calamidades naturais que atingiram o país.
Após a visita à Catedral, o Papa seguiu para um almoço com os cardeais e bispos espanhóis. E, em seguida, Bento XVI se transferirá para a Praça do Obradoiro, onde celebrará a Santa Missa, com transmissão ao vivo pela Tv Canção Nova. Nesta ocasião, se encontrará também com o líder da oposição espanhola, o galego Mariano Rajoy. Durante a cerimônia, o Papa vai falar também na língua local, o galego.
No início da noite deixará Compostela em direção a Barcelona, onde na manhã deste domingo, 6, consagrará o templo da Sagrada Família, obra-prima de Gaudí em construção durante os últimos 128 anos. Em sua visita a Catedral de Santiago de Compostela, o Papa Bento XVI ressaltou que a Igreja está a serviço da verdade e da liberdade, e não pode renunciar a nenhuma dessas duas dimensões. A mensagem do Papa foi recebida com aplausos acompanhados pela recitação do hino do peregrino.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Bento XVI entrega Pálio a 38 arcebispos


Na manhã desta terça-feira, 29, o papa Bento XVI celebrou, na Basílica de São Pedro, a solenidade dos santos apóstolos Pedro e Paulo. Também na celebração, o pontífice fez a imposição do Pálio [estola de lã que representa o símbolo do pastor] a 38 arcebispos metropolitanos, incluindo dois brasileiros, o arcebispo de Belém (PA), dom Alberto Taveira Corrêa; e o arcebispo de Recife e Olinda (PE), dom Antônio Fernando Saburido.

O tema da celebração solene foi “Liberdade da Igreja”, contida em toda a liturgia da Palavra de hoje. O papa comentou as leituras do dia e descreveu as provações físicas e espirituais sofridas por Pedro e Paulo e a ação libertadora de Deus, que os conduziu às portas do Céu. Na primeira leitura, é narrado um episódio específico que mostra a intervenção do Senhor para libertar Pedro da prisão; na segunda, Paulo diz-se convencido de que o Senhor, que já o salvou da "boca do leão", o libertará "de todo o mal".A experiência dos dois Apóstolos é significativa hoje para a Igreja, notou Bento XVI. Analisando os dois milênios de sua história, observa-se que, como tinha preanunciado Jesus, jamais faltaram provações aos cristãos, que em alguns períodos e lugares assumiram o caráter de verdadeiras perseguições.

Todavia, advertiu o papa, as perseguições não constituem o perigo mais grave para a Igreja. O dano maior é representado pela contaminação da fé e da vida cristã de seus membros e de sua comunidade, ferindo a integridade do Corpo místico, enfraquecendo a sua capacidade de profecia e de testemunho e ofuscando a beleza de seu rosto. sta realidade é descrita nas cartas paulinas, que narram problemas de divisões, de incoerências e de infidelidades ao Evangelho que ameaçam seriamente a Igreja. Em meio aos perigos, Paulo confortava os fiéis: os homens que realizam o mal "não irão muito longe, porque a própria estupidez será manifestada a todos".

Há então uma garantia de liberdade assegurada por Deus à Igreja, liberdade seja dos laços materiais, que buscam impedir ou coagir a sua missão, seja dos males espirituais e morais, que podem ferir sua autenticidade e credibilidade. Sobre o Pálio, Bento XVI destacou que se trata de “um penhor de liberdade, analogamente ao 'jugo' de Jesus, que Ele convida a tomar cada um sobre os próprios ombros." Segundo o pontífice, a comunhão com Pedro e seus sucessores é uma garantia de liberdade para os pastores da Igreja e para as próprias comunidades a eles confiadas. A comunhão com a Sé Apostólica assegura às Igrejas particulares e às Conferências Episcopais a liberdade no que diz respeito a poderes locais, nacionais e internacionais, que podem em alguns casos impedir sua missão por motivos políticos ou ideológicos.